sábado, 16 de fevereiro de 2008

Felicidade

Funestamente uma nuvem se instala sobre minha roseira
Seus espinhos penetram profundamente minha pele
E meu sangue escorre
Sei que a dor que sentes ao penetrar minha pele é maior
É a dor da rejeição; por parte dos espinhos claro
Eles não são mais necessários
Eles não doem mais
Mas você é toda dor

Seu perfume parece esmaecer
Não vou deixar
Minha flor deve permanecer intacta
A dor é apenas um desafio
Crescemos
Uma pequena progressão alimentada pela angústia
Não ficarás louca
Não se deixaras abater com pouco
És forte

És a mais bela de meu jardim
Tens um dom
O de clarear meu dia
O de deixar as coisas mais belas
És a mais pura das essências
O cheiro que exalas
Me alimenta
Se és adequada a uma palavra
Esta é felicidade

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Vias públicas

Teus dentes ainda marcam minha pele
Mas meu sangue estancou
Assim como o tempo
Assim como tudo
Quer dizer, quase tudo
O tesão ainda me resta
E a dor também

Creio que meu sangue ainda está em tua boca
Boca miúda, boca macia
Gostosa
Ainda sentes o sabor de minhas veias
Continuas a me sentir
É fato, a vontade existe
Porém, tua Assistência é ridícula (tuas mentiras idem)

Em teu colo fico dopado
Sinto apenas tua respiração
Teus batimentos um a um
Mordes-me, te beijo
Contudo negas teu desejo
Não nego nada, nunca e consideras um defeito
Jamais em vias públicas sentirei teu gosto, isto sim é um erro

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Ilusão (E disso não passa)

E eu que amei
Se é que fui amado
Tentando me recuperar da cegueira
Ainda natural dos apaixonados
Mas ainda enxergo escuro, embaçado

Melhoro
Melhoro aos poucos
E me levanto
Meu caminho é incerto
Tateio, até achar o primeiro degrau
Posso subir, conheço o caminho
Já passei por ele antes
Nunca fui tão longe, verdade
Mas à distância me da mais vontade
Devo respirar na superfície mais uma vez

Minha tontura vai passando
Restou-me apenas um galo na cabeça
Inchado, dolorido
Vejo que foi delírio
Nada melhor
De um sonho ruim me restou apenas a ilusão

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Flor do dia (Piegas mas não à toa)

A mais bela de meu jardim
Me mostras a doce desgraça
Sinto
Sei que também sentes
Sabemos, verdade
Cor da madrugada
Fonte do desejo imaginário
Felicidade
Teu espinho cega
Não vejo, só sinto
Negue, minta
Não sei o que há
Nem sempre houve
Hoje habita
De tamanha forma, quantia
Que controla
Se vá
Como querias
Mas peço-te pela última vez
Ilumina meu dia